A sombra que nos habita: o que rejeitamos diz muito sobre nós
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Existe em nós uma parte que preferimos não mostrar — e, muitas vezes, não enxergar. É feita do que aprendemos a chamar de feio, errado, inadequado. É a parte que escondemos até de nós mesmos.
Mas o que escondemos não desaparece. Ele aparece projetado: naquilo que mais nos irrita nos outros, naquilo que julgamos com mais força, naquilo que dispara em nós uma reação desproporcional.
Reconhecer a sombra não é se condenar. É, ao contrário, deixar de viver dividido. É integrar — trazer para dentro de casa aquilo que, de longe, parecia estar sempre nos outros.
Quando deixamos de lutar contra a própria sombra, descobrimos que ela tem coisas a oferecer: força, verdade, um tipo de inteireza que só nasce de quem não foge mais de si.
Por Luciene Alamino · Fio de Ariadne
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