Narciso e o espelho: a imagem que nos prende
6 min de leitura

Narciso era jovem e belo. Tão belo que, ao se ver refletido nas águas de um lago, não conseguiu mais se afastar. Ficou ali, contemplando a própria imagem, até definhar.
A leitura comum é simples: vaidade. Mas há uma camada mais sutil — Narciso não se reconheceu. Ele se apaixonou por uma imagem que pensava ser outra pessoa. Quando entendeu que era ele mesmo, já era tarde.
Há algo desse mito em nós quando confundimos quem somos com a imagem que produzimos. Quando o que aparece passa a importar mais do que o que sente. Quando passamos mais tempo cuidando do reflexo do que do que está sendo refletido.
O mito não condena olhar-se. Condena ficar paralisado diante da própria imagem — sem nunca atravessar a superfície da água.
Por Luciene Alamino · Fio de Ariadne
Outras reflexões